Bulling doméstico - q

Posted: segunda-feira, 24 de maio de 2010 by Crítico in
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Dia 17 de Maio.

Eu estava atuando num dos milhões de projetos elaborados pela Secretaria de Educação, ao mesmo tempo em que trabalhava com uma outra turma de reforço escolar. Num determinado momento da aula, após terminar de copiar o texto para meu caderno/ plano de aula, notei que um dado aluno mancava (vamos chamá-lo de aluno "M"), e foi então que percebi que ele não calçava sapatos. Nada comentei. A aula seguiu relativamente tranquila, visto que vínhamos de um final de semana, e as crianças sempre retornam mais agitadas. De repente, o aluno "M", que conversava com a aluna "L", levantou a manga de sua camisa, reparei duas marcas em seu braço esquerdo, pareciam queimaduras. Chamei o aluno "M" e perguntei o porquê daquelas marcas. A criança me contou que jogava bola na rua e acabou cortando o pé, e quando chegou em casa, o pai ficou irritado pois teria que levar seu filho ao posto médico. "M" me contou que seu pai pegou uma barra de ferro e acertou duas vezes seu braço. Obviamente, fora descoberto o motivo pelo qual o menino apresentava tais feridas. Como sou um mero estagiário, mantive uma postura didática e não acolhi a criança em meus braços. Comuniquei aos responsáveis da escola (direção) para que alguma providência fosse tomada. Provavelmente, nada acontecerá. Quando retornei à sala, após fazer a queixa, meus alunos debatiam o seguinte tema: A pior forma de apanhar. Todos concordaram que o cinto é pior de todos, principalmente, quando os pais usam a parte da fivela.

E então, lembre-me do dia em que assisti ao programa global Altas Horas, e o assunto em questão era Bulling. Minha conclusão é que o pior tipo de bulling que se pode sofrer, é o bulling causado pelos próprios pais. Assim, fica complicado esperar que essas crianças tão afetadas pela realidade em que vivem tenham a noção de valores.

Att,
"X" da questão

Inconformado - q

Posted: quarta-feira, 5 de maio de 2010 by Crítico in
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Dia 28/04, meu pai comemorou mais um ano de vida. Feliz da vida, esperava o ônibus da linha "y" no ponto, quando me deparei com um morador de rua que aparentava berar uns 30 anos. O ônibus que aguardava chegou e eu entrei, cumprimentei o motorista com a educação e cordialidade que meus pais me deram. Paguei os $ 2,35, e foi então que me deparei com aquele morador de rua avistado no ponto, sentado num determinado banco. Procurei um lugar mais ao fundo do ônibus e comecei a me questionar o motivo pelo qual eu pago passagem. Fiz as contas e reparei que $ 2,35 para cada viagem era muito dinheiro. Refleti mais um pouco e lembrei de alguns benefícios: Riocard da terceira idade, Riocard para estudantes de colégio público e Riocard para deficientes. Após alguns minutos, concordei que era justo cada benefício citado, mas ainda fiquei intrigado com o viajante clandestino. Achei, então, uma ótima solução para evitar o constrangimento que essas pessoas passam ao entrar sorrateiramente por trás do ônibus...

RIOCARD MORADOR DE RUA!

Att,
X da questão.

Ponto crítico - q

Posted: terça-feira, 27 de abril de 2010 by Crítico in
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Dia 26/04/2010. Nesta data foi realizada a prova de Língua Portuguesa do município do Rio de Janeiro. Fui espectador de uma determinada turma (3° ano), de uma determinada escola, meu contrato não permite que eu fale a respeito, por isso, inauguro este blog em anonimato.

A questão que gostaria de levantar é o quanto a prova é mal formulada. Foram quinze questões de múltipla escolha, porém observei em três diferentes situações em que existiam pelo menos duas respostas corretas. Os alunos concluíram a prova, e a professora e eu fomos corrigí-las (Os alunos permanecem em sala enquanto o professor corrigi a prova, sem um estagiário, o professor acaba corrigindo a prova ao tempo em que controla a turma – um herói(a). Quinze questões de interpretação de texto e fiquei chocado ao ver uma aluna que ainda não sabe ler obtendo quatorze acertos. Das três uma: ela aprendeu a ler nesse curto momento de tempo (vai ver a pressão da prova causou o insight), ela colou de outra menina que também errou a mesma questão que ela ou a esta aluna chuta que é uma beleza (provavelmente, quando ninguém tiver vendo, vou pedir pra ela marcar aleatoriamente um jogo da sena pra mim). Agora eu me pergunto: de que adianta quatorze acertos se ela não leu absolutamente nada?! Enfim...

A prova se mostrou uma ilusão completa, ela só cria estatísticas para a Secretaria de Educação, esta instituição que nem a capacidade de elaborar uma prova sem questões dúbias teve. Gostaria de levantar, também, uma observação que fiz ao fim do ano de 2009, quando novamente sofri o impacto ao ver que a prova do 4° bimestre estava com 80% das questões repetidas do 3° bimestre!

Noto que não há uma preocupação se o aluno atingiu os objetivos ou não, mas sim, a possibilidade dele gerar bons números estatísticos. A desvalorização da profissão de professor é mais que visível diante dessas situações em que se encontram essas pessoas que dedicaram sua vida ao ensino...

Sempre ouvi que o professor não quer/não trabalha, quando na realidade, eu deveria ouvir alguns professores não querem/não trabalham. Pode ser que exista algum caso de profissional relapso, sou apenas uma pessoa, e trabalho como estagiário em apenas uma escola, e felizmente, não me deparei com tais “profissionais”, ainda bem...

Att,
X da questão.